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Acompanhei com muito interesse a reportagem da Sic Notícias "Portugal Desigual".


Carlos Farinha Rodrigues (Instituto Superior de Economia e Gestão) que lidera a equipa responsável pelo estudo sobre as desigualdades económicas em Portugal para a Fundação Francisco Manuel dos Santos: "... não esperava que esse processo de ajustamento fosse tão profundamente desigual, tão regressivo, e que afectasse essencialmente os mais pobres entre os pobres".


Uma economia baseada em baixos salários e que apresenta enormes desigualdades económicas não tem futuro.

Difícil já será a sua recuperação com uma população activa reduzida drasticamente após a sangria migratória.


Este é o desafio: uma distribuição dos rendimentos equilibrada, tal como existe nas democracias avançadas e prósperas. Não é isso que desejamos para o nosso país?


Há políticas económicas inovadoras que podem ser aplicadas. 

A política fiscal ainda não conseguiu aperfeiçoar-se até se tornar verdadeiramente eficaz. Abrange sobretudo os que vivem dos rendimentos do trabalho e deixa de fora os que conseguem escapar ao seu radar. Toda a gente sabe que isto é verdade, comprovado pelo trabalho jornalístico dos Panama Papers, por exemplo.

 

A grande evasão fiscal não está no património visível, como sugere este novo desenho de um imposto para os mais ricos em Portugal. Está no rendimento invisível, no que escapa ao radar, no que não é declarado. Taxar o património sim, mas de forma sensata, para não desmotivar a poupança e a aplicação de rendimentos. Melhorar o radar fiscal será fundamental. Dividendos, transacções, aplicações em bolsa, paraísos fiscais. Do verde ao vermelho, grau 1, grau 2, grau 3. Penalizar fortemente a fuga de capitais.


Pagar impostos é de tal modo um tabu para os muito ricos que esta conferência foi excluída das TED Talks:

 

  

A propósito do salário mínimo, esta pérola de Bill Gates resume o pensamento padronizado dos super ricos:

 

 

Os comediantes têm aqui material mais do que suficiente para construir as suas piadas.


As políticas económicas inovadoras não esquecerão o salário mínimo, taxar os mais ricos e evitar a grande evasão fiscal, mas não se ficarão por aí. Serão desenhadas para garantir um equilíbrio socio-económico saudável, a partilha de responsabilidade nas grandes decisões, uma nova cultura de colaboração em que o consumidor tem um papel fundamental (ler Alvin Toffler: "A Revolução da Riqueza".

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

publicado às 19:58

A prioridade não é o défice mas apresentar resultados na economia

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 03.09.16

A provocação política simplifica as questões de tal modo que distorce o essencial. A estratégia do governo falhou, por exemplo. Como se o governo tivesse tido a possibilidade de testar a sua estratégia inicial. Não teve. Teve foi que encontrar um compromisso entre a sua estratégia e Bruxelas. E ainda lhe caiu em cima o Banif e a Caixa, isto é, o sistema financeiro.


A insistência no défice desviou as atenções da prioridade: apresentar resultados na economia. Agora acenam com a economia, que está a crescer menos do que se esperava. Não admira.


Neste artigo do Público, três economistas respondem à questão da estratégia do governo, se falhou ou não. Borges de Assunção destaca "a fragilidade do investimento" como o dado mais preocupante. Em relação ao investimento público, Paes Mamede lembra que "está a ser contido para cumprir metas orçamentais". Mateus lembra a dimensão e a produtividade da nossa economia: "temos recursos a mais em actividades que não crescem". É interessante esta perspectiva: "não se trata de pôr a economia a crescer tal como ela é, tem de se fazer algo diferente (...) É preciso política económica, não pode ser apenas política financeira".

 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

publicado às 11:14


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